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Diário da Campanha - Oitavo Dia

 

Começámos a jornada do oitavo dia em Casas da Serra. A Maria de Jesus distribuía cravos e em troca recebia beijos. E apresentou contas do muito que já fez e daquilo que há-de fazer no próximo mandato. O nosso Presidente, Artur, Artur, Artur… também distribuiu cravos e beijos, e abraços, e

- Vocês conhecem-nos. Cumprimos, trabalhando.

saímos dali com um “Até logo”.

            Chegámos a Santa Eugénia em ambiente de festa. E que festa! O povo escorria, alegre, pelas ruas em direcção à sala onde aconteceu o comício. Tanta gente, tanta gente, e tanta gente, e tanta gente que não há memória de um comício em santa Eugénia com tanta gente. A Fátima trabalhou nestes quatro anos e o povo quis dizer-lhe:

            -Obrigado, senhora Presidente da Junta. Continue a trabalhar para bem desta terra e de todos nós.

            Aqui, em Santa Eugénia, o nosso Adérito Figueira, esteve como peixe na água:

            - Se eu fosse candidato a Presidente da Câmara Municipal e tivesse uma derrota avassaladora na minha terra, como aconteceu com o actual número dois da lista da oposição, teria vergonha e não mais seria candidato ao que quer que fosse.

            Pois é, pois é, amigo Adérito, mas há quem não tenha vergonha na cara!

            E o nosso João Manuel, João, João, João… sempre, e sempre, com aquele jeito de homem simples, disponível, solidário… quem não quer ter um Presidente da Assembleia Municipal com tais atributos?

            E o nosso Presidente da Câmara, Artur, Artur, Artur…, que pacientemente desmonta, apontando a obra feita e traçando as linhas mestras do futuro, o chorrilho de mentiras que a oposição vem semeando como quem semeia pedras?

Bom. Se é verdade que em Santa Eugénia éramos uma imensidão de gente, e éramos, chegámos ao Franzilhal mais ainda e em Carlão aconteceu a maior festa da fraternidade a que já assistimos desde que começou a campanha eleitoral. Estar ali a ouvir a mensagens dos nossos líderes foi uma experiência inesquecível! Todos sentimos que, daqui até ao próximo Domingo, é pelo sonho que vamos: o sonho de conseguirmos a maior Vitória de sempre para o Partido Socialista no Concelho de Alijó!

 

Eles não sabem que o sonho

é uma constante da vida

tão concreta e definida

como outra coisa qualquer,

como esta pedra cinzenta

em que me sento e descanso,

como este ribeiro manso

em serenos sobressaltos,

como estes pinheiros altos

que em verde e oiro se agitam,

como estas aves que gritam

em bebedeiras de azul.

 

eles não sabem que o sonho

é vinho, é espuma, é fermento,

bichinho álacre e sedento,

de focinho pontiagudo,

que fossa através de tudo

num perpétuo movimento.

 

Eles não sabem que o sonho

é tela, é cor, é pincel,

base, fuste, capitel,

arco em ogiva, vitral,

pináculo de catedral,

contraponto, sinfonia,

máscara grega, magia,

que é retorta de alquimista,

mapa do mundo distante,

rosa-dos-ventos, Infante,

caravela quinhentista,

que é cabo da Boa Esperança,

ouro, canela, marfim,

florete de espadachim,

bastidor, passo de dança,

Colombina e Arlequim,

passarola voadora,

pára-raios, locomotiva,

barco de proa festiva,

alto-forno, geradora,

cisão do átomo, radar,

ultra-som, televisão,

desembarque em foguetão

na superfície lunar.

 

Eles não sabem, nem sonham,

que o sonho comanda a vida,

que sempre que um homem sonha

o mundo pula e avança

como bola colorida

entre as mãos de uma criança.

 

Pedra Filosofal, in Movimento Perpétuo, 1956, António Gedeão

 

 

 


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